16 de agosto de 2014

Fique

Eu podia ter dito qualquer coisa naquele dia. Qualquer maldita coisa. Mas, não. Eu decidi ver você partir, calada. Às 15:16 do dia nove desse mês, eu te vi partir no único aeroporto dessa cidade. Você com o jeans de ontem, porque tinha entornado coca gelada no que trouxera para ir. Eu com um coturno desbotado e uma saia azul claro abraçada com minha mãe. Bem assim, eu te vi ir embora.
Eu despistava o choro, pois estava acompanhada dos meus pais, mas, na verdade, eu estava em um dilúvio de lágrimas por dentro. Você agradeceu a estadia, beijou minha testa - não mais em sinal de cuidado - e se foi. Eu podia ter corrido atrás de você, pulado ou sei lá mais o que. Eu podia ter dito qualquer coisa.
Eu podia ter gritado “Fique, por favor!”, mas não fiz. Você se foi e eu não disse porcaria nenhuma e, cara, eu sei que não iria adiantar nada se eu tivesse dito, mas pelo menos você saberia. Saberia que não tava tudo bem você ir. Que eu preciso de ti aqui. Saberia que eu te quis desde o começo e, sério, eu ainda quero. É difícil admitir quando o coração tá machucado, mas eu ainda tô aqui. E eu sei que eu devia ter dito alguma coisa, mas saiba que eu não importo se você voltar. Eu ainda tenho um barco pra remar, mas eu preciso de alguém pra velejar junto comigo, porque sozinha eu não consigo. E, ok, eu sei que é tarde pra te pedir pra ficar, mas, por favor, fique. Fique bem.
Sem mim. Com outro alguém.

Um comentário:

  1. Exelentes textos,uma mais lindo que o outro,parabéns!!!
    http://wwwbrasilpoesia.blogspot.com.br/

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