14 de outubro de 2013

Alma lavada

E ela queria desistir daquilo tudo. Da vida, se possível. Tudo corria bem e depois tudo desmoronou. “Por quê, meu Deus?” Ela não entendia o que estava acontecendo. Queria despir-se de sua própria alma e guardar no fundo do guarda-roupa. Guarda-alma, nomeava. Seria mais fácil guardar aquela dor. Dor em demasia. E a Margarida queria crescer, ser, viver. Mas moça, é assim mesmo. No outono as flores caem, mas na primavera elas voltam a crescer.
Não desista, moça, menina, flor.
“É assim mesmo”, repetia. “É viver ou viver.”
E ela revirou o olhar. Levou pra lavar. Lavanderia. Lava-alma, nomeava. E vestiu sua alma renovada e disse: “Melhor alma só lavada que alma desamada” e pôs-se a seguir quase transbordando. Transbordando de uma dor chamada amor. Dor boa. Paradoxo.
“E vai assim mesmo, moça, menina, flor?” E claro que ia, até porque alguém um dia disse: “Melhor alma só lavada que alma desamada."

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